12 ago 2007

Criação de felinos impulsiona indústria de alimentos especializados

Publicado por admin as 10:44 am em Geral


Chico Buarque que nos perdoe, mas lá se foram os tempos em que os gatos já nasciam pobres, como na música de Os Saltimbancos. Hoje, a criação de felinos para comercialização está em expansão no Brasil e no mundo, e um filhote com pedigree pode custar até R$ 2,2 mil em Belo Horizonte, dependendo da raça. A aposta nos bichanos fica clara quando se observa o aumento da atenção dada a esses animais pela indústria alimentícia. Já existem rações para gatos diabéticos, gatos com problemas renais, gatos obesos, gatos que vivem dentro de casa e gatos que têm acesso a áreas externas.

A gerente de produtos para felinos da Royal Canin, Fernanda Marques, afirma que a população de bichanos domesticados cresce no Brasil e no mundo. Segundo ela, existem 13 milhões de gatos domésticos no país, para uma população de 29 milhões de cães na mesma situação. Na Argentina, são três milhões para quatro milhões. Na Europa, o jogo já virou: 43 milhões de gatos para 36 milhões de cachorros. Mas o mercado imbatível é o dos Estados Unidos, onde há 90 milhões de bichanos para 63 milhões de cães. O potencial de venda de alimentos para o mercado de animais de companhia no Brasil é o segundo maior do mundo, e estima-se que o atual consumo de ração para gatos atenda a apenas cerca de 50% da população de felinos domesticados, o que significa que há um enorme potencial para crescer.


Alysson Nogueira, dentista e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), é dono do Gatil Dangelo, onde cria gatos persas e exóticos. Com 20 fêmeas e quatro machos reprodutores, vende 50 filhotes anualmente, a um preço que varia entre R$ 500 e R$ 2,2 mil, conforme o tipo do animal. “Como a reprodução só acontece uma vez ao ano, os filhotes são comercializados por encomenda. Funciona quase como uma reserva”, diz. Os mais caros – aqueles destinados à competir em exposições, chamados de “show” no jargão dos produtores – custam entre R$ 2 mil e 2,2 mil. Os exclusivos para companhia saem, em média, por R$ 500 a R$ 700. Já os destinados à reprodução são vendidos por até R$ 1,5 mil. “Mesmo assim, o negócio não é lucrativo, porque os gastos com manutenção são muito altos”, adverte. As despesas vão de ultra-som a cesariana, passando por remédios, alimentação especial e banhos em lojas.

O presidente do Clube Gaúcho dos Gatos (CCG), Marcos Klein, é criador há 12 anos. Ele conta que começou a atividade com um casal da raça sagrado da Birmânia, já com o objetivo de formar um gatil. “Esse é um mercado que cresce no mundo todo. Os gatos são vistos como animais de companhia, por isso as empresas especializadas estão investindo pesado na área da alimentação e tratamento.” Segundo ele, o CCG registra, em média, 1,3 mil filhotes ao ano. “As vendas crescem a uma razão de 10% a cada 12 meses”, sustenta.

A dona do Gatil Eluro, Terezinha Araújo, é enfermeira, mas, desde 2004 tem como principal fonte de renda a criação de gatos persas himalaios e coloridos. Os preços dos animais que comercializa varia entre R$ 250 e R$ 800, dependendo do padrão, o que quer dizer porte, linhagem, cara e pedigree. Segundo ela, os compradores são de dois tipos: aqueles que querem começar um gatil e os que pretendem criar os bichanos por estima. “Meu negócio vem crescendo porque o mercado de gatos também cresce em Minas. Vendo animais para todo o estado e também para o Rio, São Paulo e Bahia”, conta.

A advogada Valentina Mello Ferreira Pinto comprou seu primeiro bichano – um persa que saiu a R$ 400 – há um ano, com o objetivo de ter companhia em casa. Há quatro meses, adquiriu outro, um exótico (persa de pêlo curto), que também custou R$ 400. O gato mais velho tem um ano e apresentou um problema de saúde: um dos caninos era voltado para dentro, o que provocava um furo na gengiva do animal. “Tive que levá-lo a um especialista. A primeira tentativa foi colocar um aparelho nos dentes do bichinho, mas isso não resolveu o problema. Em seguida, ele teve que passar por um tratamento de canal para que o dente fosse serrado. Ao todo, gastei R$ 900”, revela.

Para Marcos Klein, do CCG, as pessoas que escolhem gatos como companhia cuidam melhor deles do que aquelas que optam pelos cães. “Antes, ninguém se apegava aos gatos, toda a interação só parecia possível com o cachorro. Hoje, isso mudou”, afirma. Fernanda Marques, da Royal Canin, concorda. Na avaliação dela, os gatos são vistos como o pet do futuro, porque é mais fácil de criar e tem hábitos que permitem que fiquem sós durante o dia. “Eles são tão companheiros quanto os cães. Quem tem um gato, sempre quer mais de um”, aposta.

Fonte = Zulmira Furbino - Estado de Minas

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