20 set 2007
Amor de 11 anos faz dono empalhar cão de estimação
Amor de 11 anos faz dono empalhar cão de estimação
Rhanther Luiz de Lima, o bicho, era bravo e quase provocou separação

O oficial de eletromecânica Ari Turato e o cão empalhado Rhanther: inseparáveis
Quem vê o oficial de eletromecância Ari Turato, 51 anos, carregando para cima e para baixo um cachorro daquele tamanho, tem de imediato a certeza de que ele é um amante dos animais Aproximando-se dos dois, vem a surpresa: o cão, uma mistura boxer com fila, está morto desde o ano passado.
É comum só em museus, mas Ari pagou a uma veterinária para que o bicho fosse empalhado, tamanha sua paixão pelo animal com quem conviveu por 11 anos.
A relação dos dois tem histórias. A primeira, vem da forma como o cão apareceu. “Eu estava construindo uma casa e uma conhecida, que não tinha em sua residência espaço para criá-lo, acabou me dando”, conta.
Ari disse que quando recebeu o bicho, levou junto para casa a recomendação de que fosse bem-cuidado. “Ela me deu ele com carteirinha de vacinação e garante que tem registrado em cartório seu nome, com direito a sobrenome: Rhanther Luiz de Lima.”
O oficial não foi até o cartório checar se o bicho tinha ou não registro. Só que, desde então, identificou-se com cachorro e, por conta dele, passou a enfrentar problemas dentro da própria casa e com a vizinhança. “Eu quase fiquei sem a mulher. Ela tinha ciúmes, não admitia”, diz ele.
16 mordidos
Com os vizinhos, os problemas estavam na agressividade de Rhanther. Mistura de duas raças não tão dóceis, ele mordeu 16 pessoas ao longo da vida, incluindo uma das filhas do oficial, que teve de ser submetida a cirurgia de reparação que lhe rendeu seis pontos no rosto.
Em 27 de abril de 2006, Rhanther não suportou uma infecção de rim e morreu.
Ari, que já tinha gasto R$ 890 com tratamento, pagou mais R$ 1,4 mil para que a veterinária empalhasse o cão, preparado para que ficasse em pose deitada.
Hoje Rhanther é levado pelo dono para onde quer que vá. “Quando estou na piscina, boto ele perto. Cada dia fica num lugar diferente da casa”, garante.
Pita está enterrada em túmulo no quintal
As histórias de amor de Ari Turato por animais não param no fiel companheiro Rhanther, o qual pegou filhote ainda, com apenas oito meses de vida.
A poodle Pita, que viveu por nove anos, também era adorada, segundo Ari. A cachorra morreu há três anos, de câncer. Hoje, em outra prova de amor pelo bicho, está enterrada no quintal da própria casa. “Mandei construir um túmulo para ela, com direito a nome gravado em placa de granito”, diz. Questionado se acha normal seus amores pelos animais, Turato diz que carrega isso consigo desde a infância.
Sacrifício
Funcionário dos Correios, ele trabalha hoje em unidade da Vila Pacífico. Lá, também tem seus bichinhos de estimação. “Eu cuido de 27 gatos de rua. Comecei dando comida para um e outro.”
E reitera fazer porque realmente gosta. Apesar de serem de rua, os gatos comem ração como qualquer outro bicho de trato mais requintado.
Na semana passada, Ari percebeu que entre os gatos que cuida, um estava machucado. Levou ao veterinário para ver qual era a lesão. Uma radiografia, pela qual pagou R$ 20, detectou que o felino estava com a coluna fraturada. “Para não deixar o bicho sofrendo, paguei para que fosse sacrificado. Foi melhor do que deixá-lo sofrendo”, relembra.
Poodle em casa ‘não é a mesma coisa’
Desde que Rhanther morreu, Ari Turato diz não ter mais entusiasmo para se dedicar a outro cão. Apesar de ter em casa um outro poodle, diz “não ser a mesma coisa”.
Hoje ele prefere cultivar o carinho pelo fiel escudeiro. O boxer com mistura de fila, que chegou a ser adestrado, é o alvo das atenções por onde é carregado. “As pessoas querem tirar fotos ao lado dele. Acham interessante. Por isso o levo para todo lado”, diz.
Juliana Lobato/Agência BO
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